
Célia Paccini
diretora de redação
celiapaccini@mixeditores.com.br
http://twitter.com/celiapaccini
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A
razão da sinceridade
Não é de hoje que a gente sabe que a casa reflete as
mudanças do comportamento humano. Estilos, cores, móveis
e ambientes surgem e desaparecem do nosso dia-a-dia impulsionados
pelas forças invisíveis que movimentam a sociedade em
que vivemos. Pressa, necessidade de informação, desejo,
vaidade, insegurança são alguns dos motores que agem
sobre a nossa vida. Analisando as novas salas de estar que fotografamos
para esta edição, percebi, no meio disso tudo, uma outra
influência bem atual: a necessidade da transparência e
da sinceridade. Tenho a impressão que cada vez mais pessoas
se importam com o real ao invés do imaginário. Mais
com o seu cotidiano do que com as aparências. Nas salas de estar,
o reflexo desse comportamento aparece em ambientes mais descontraídos
e adaptados a realidade da família. Pra que um lindo sofá
branco se tenho três crianças em casa e eles nunca poderão
se jogar sobre ele? Porque não é uma boa idéia
ter uma TV na sala de estar, se é onde a familia se reune?
Na casa contemporânea não existe mais espaço para
ambientes que não sejam usáveis ou que tenham como única
função a de cartão de visitas, uma imagem que
se quer projetar, mas que nem sempre é verdadeira. Por isso
a casa tem que ser confortável para quem vive nela, prática
e com uma aura de felicidade implícita nos objetos, mesmo que
não sejam da última moda. Prova disto é a casa
construída na Serra da Mantiqueira, quase na fronteira entre
os estados de São Paulo e Minas Gerais que publicamos nesta
edição. Como um patchwork, a casa tem de tudo um pouco.
Da pérgola em ferro na entrada que sustenta a velha glicinia,
a fogão a lenha e piso de cimento queimado. Objetos italianos
e galões de leite convivem numa decoração que
fala ao coração de sua dona. Tudo isso no topo de um
morro com uma vista de tirar o fôlego. Tudo tem sua razão
de ser. Boa leitura!
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