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POESIA FRAGMENTADA

As peças que vocês criaram este ano para a Edra estão compactas. Vocês desistiram dos grandes formatos?
Fernando e Humberto Campana- Não desistimos, mas tem a ver com a crise e com um melhor ajuste na casa. Além do mais, o público que mais admira nosso
trabalho é de jovens que normalmente não tem espaço em casa para os nossos
sofás de 12 lugares. Criamos coisas menores mas sem perder a poesia.
Este ano houve a reedição da poltrona Leather, feita com pedaços de couro.

Como as outras criações se conectam nesta coleção?
Campana - Quisemos continuar com esta ideia de construir algo a partir da fragmentação que surgiu com esta poltrona há dois anos. Por isso o espelho Miragio feito de pedaços, o sofá Cipria com diferentes almofadas, e o móvel Scrigno com placas sobrepostas. É a nossa forma de transformar e traduzir a poesia em técnica. E tudo muito colorido que é a nossa marca.

 
 
 

MÓVEL TEM QUE SER DURÁVEL

O senhor vê mudanças no comportamento do consumidor?
Giuseppe Chigioti -
Sim, acabou a época do grande consumismo. Com essa crise vamos notar que o consumidor vai buscar coisas menos descartáveis. E móvel tem que ser precioso e durável. Por isso acredito que o design terá uma função importante nos próximos anos ao oferecer peças bem acabadas e com formas atemporais. O bom design é uma resposta ao consumismo.

O que o senhor criou este ano dentro deste conceito para a Driade?
Giuseppe Chigioti - Desenhei o sofá Hoff, que foi um desafi o, porque a empresa queria algo com acabamento em capitonê, que pudesse ser industrializado mas com aspecto artesanal, que não fosse grande e nem muito moderno, e não muito caro. O resultado foi essa linha de sofá e cama bem elegante com revestimento em couro que parece pequenas almofadas. Sem dúvida, uma peça durável que pode passar de pai para filho.

 
 
 

O DESIGN SERÁ DETERMINANTE

Qual a contribuição que o design pode dar à vida moderna?
Xavier Lust -
Além de mais utilidade e funcionalidade, o design pode criar coisas atemporais e penso que isso será determinante num futuro próximo. As pessoas vão se preocupar mais com a forma e com a qualidade dos materiais.

Muitos dos seus trabalhos são em metal. Você acha que este é o material ideal para o design do futuro?
Xavier Lust -
Acredito na versatilidade e na durabilidade do metal. Na possibilidade de transpor para o metal as formas que crio.

Como a Virgo, uma de suas criações este ano para a Driade?
Xavier Lust - Imagine um grande círculo com raios saindo de seu centro, como cordas esticadas. Uma pequena parte deste círculo deu origem a Virgo. Como um arco tensionado. Pensei em um móvel leve visualmente e que sobretudo pudesse ser usado como uma “estante de centro” e não contra uma parede.

 
   
 
 

UM OLHAR COLORIDO E OTIMISTA

A italiana Edra é reconhecida pela ousadia do seu design e todos os anos surpreende em Milão com novas formas e novos olhares. Este ano, enquanto a maioria aposta em cinzas e beges, a Edra trouxe uma coleção colorida e brilhante denominada “Shine”. O diretor de criação e designer, Massimo Morozzi explicou a aposta da marca.

Como o senhor traduz esta coleção?
Morozzi -
É o nosso olhar otimista em relação ao mundo, a crise e a tantas mudanças. As pessoas não param de falar de coisas ruins. Tudo está muito escuro no mundo. E na decoração a maioria propoe uma casa bege, cinza, cheia de tons tristes. Ora, a Edra sempre foi exultante em suas criações.

E divertida também?
Morozzi -
Sim, eu me diverti muito fazendo esta coleção. Não podiamos nos render a este clima de crise. Apostamos no positivismo do design porque não fazemos só um sofá, propomos experiências belas e ricas que inspirem as pessoas.

 
   
 
  USO NOBRE À MADEIRA

Este ano a ClassiCon, empresa italiana que vende no exterior as peças do brasileiro Sergio Rodrigues, dedicou todo o seu stand no Salão do Móvel de Milão ao designer. Aos 82 anos, quase 60 comodesigner de móveis, Rodrigues falou sobre novos projetos e o design brasileiro.

Porque o senhor acha que o design brasileiro está se destacando tanto no exterior atualmente?
Sérgio Rodrigues -
Sempre houve este interesse, mas é claro, agora mais nomes estão surgindo. Nos destacamos por trabalhar muito bem a madeira, mas hoje muitos designers jovens estão se destacando também com novos materiais.

O fato da madeira ser um recurso finito é um problema?
Sérgio Rodrigues -
Não, é nobre dar um uso à madeira. Vou continuar trabalhando com a madeira até morrer. É o que eu sei fazer e no Brasil é o nosso melhor e mais abundante produto. Atualmente tenho uns quatro projetos em produção.