Foi no século
20, quando ainda era professor da Bauhaus, que o alemão
Mies van der Rohe instituiu o conceito “menos é
mais” na arquitetura, decoração e também
no design de móveis. De lá para cá, muitos
profissionais ao redor do mundo se identificaram e assumiram
a idéia e o estilo minimalista. Em terras brasileiras,
a arquiteta carioca Carla Juaçaba se mostra uma entusiasta
desta escola, que acredita que o simples não reduz
o conforto e muito menos foge do que é belo. Carla
inspirou-se exatamente nos ensinamentos do mestre Mies van
der Rohe quando foi chamada para projetar uma casa de vidro,
inserida em um terreno de 1,1 mil metros quadrados, sem derrubar
uma árvore sequer. Desafio aceito e cumprido. “Encontramos
um vão entre as árvores centenárias e
decidimos pela implatação da casa ali”,
conta a arquiteta. Elevado do solo, o projeto foi construído
sobre uma estrutura metálica, levantada em apenas 15
dias.
Neste ponto, os olhos da profissional se voltaram novamente
para Mies, mais precisamente para um de seus projetos mais
significativos, a Casa Farnsworth. Hoje operando como museu
em Chicago, a residência toda de vidro e estruturada
sobre vigas foi um grito de vanguarda em 1950, quando foi
finalizada. Aqui, os materiais e revestimentos estavam definidos
desde o início da obra: piso de cimento, paredes de
alvenaria pintadas de branco e vidro em abundância.
Na cobertura, apenas um plano com telhas metálicas
com corte longitudinal para inserção de um domus,
que atravessa a casa de uma extremidade a outra. A Casa Varanda,
como foi batizada por Carla, tem 140 metros quadrados e não
excede em nada: tem dois quartos, dois banheiros, cozinha
aberta para a sala e um pequeno depósito. A decoração
despojada e rica em personalidade aconteceu de forma espontânea
enquanto o casal de proprietários, ele artista plástico
e ela socióloga, arrumavam seus objetos e móveis.
“O objetivo da casa é promover a integração
com a Natureza e oferecer liberdade aos moradores”,
finaliza Carla.
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